Número 5 – janeiro a março de 2000 – Circulação Trimestral

 

Entrevista

Inmaculada Figols Costa é Assistente Social, especialista em administração de RH, professora universitária, e mestranda em psicologia social na Universidade São Marcos e Francisca C. Borges Galletti é Psicóloga Clínica, membro da equipe de estudos sobre álcool e drogas da Faculdade de Medicina do ABC,  mestranda  em  psicologia social  na Universidade São Marcos.

REG-QVT: Poderiam nos falar sobre sua pesquisa?

Inmaculada e Franscisca: Este trabalho é parte de uma pesquisa que está sendo realizado por mestrandos em psicologia social, com o objetivo de refletir sobre a atuação do profissional de psicologia da área organizacional nos programas voltados à saúde global do trabalhador. Acreditamos que esta questão deveria nortear os princípios básicos de qualquer organização, porém observa-se que para que isso ocorra torna-se necessário “convencer” a organização que programas como estes levam à diminuição de custos, ao aumento de produtividade, da qualidade dos produtos e serviços e conseqüentemente torna a empresa mais competitiva.

REG-QVT: Mas pode ser muito amplo o escopo, haveria alguma prioridade?

Inmaculada e Franscisca: Sim, em nosso estudo, priorizamos os programas de prevenção, mais especificamente ao uso do álcool, uma vez que os dados da OMS apresentam a dependência desta droga como a terceira causa de absenteísmo no trabalho (por atestados médicos, queda da produtividade, acidentes do trabalho), e a oitava causa de concessão de auxílio-doença na Previdência Social em nosso país. Esses dados englobam todos os trabalhadores independente de sua capacidade produtiva, implicando na qualidade de vida do trabalhador.

REG-QVT: Como foi realizada a pesquisa e quais foram os resultados?

Inmaculada e Franscisca: Através de questionários foram pesquisados 57 profissionais da área organizacional levantando informações que nos proporcionassem verificar a atuação efetiva ou não desses profissionais nos programas de prevenção ao uso do álcool nas organizações. Os resultados parciais mostram que 61% das organização pesquisadas implementam programas de prevenção à saúde do trabalhador. Sobre a existência especifica de uso do álcool, 23% dos entrevistados responderam que possuem programas e 5% não responderam.

Quando perguntados sobre os profissionais que compõem a equipe, observamos que os psicólogos organizacionais participam somente em 6% deles. Ficando em sua maiores a responsabilidade do programa com a Medicina Ocupacional (16%) e Serviço Social (43%). Sobre a participação efetiva desses profissionais nos programas de prevenção ao uso do álcool é de 13%. Do porque da não participação 73% não responderam, 7% citaram que esse tipo de programa encontram-se sob responsabilidade do Serviço Social e, 23% de outros profissionais (enfermeiros, analista de pessoal, segurança do trabalho, CIPA etc.). Alguns dos motivos citados pela não participação são: não ter tempo/interesse, o serviço social é especializado nesse tipo de atendimento, não ter envolvimento direto, não pertencer a mesma gerencia, falta de disponibilidade, não ter tido ou criado oportunidades, entre outros.

REG-QVT: Vocês teriam alguma consideração sobre o papel profissional do psicólogo nas organizações?

Inmaculada e Franscisca: Considerando-se que o psicólogo deveria ser o profissional que mais apto estaria para a compreensão das relações humanas e o sofrimento psíquico vivenciado pelos trabalhadores, no decorrer da pesquisa fomos levadas a refletir sobre algumas questões:

por que esse profissional raramente atua no corpo técnico para implementações de programas de prevenção?

por que abrem mão da atuação efetiva nos programas de prevenção ao uso do álcool e conseqüentemente nos da qualidade de vida no trabalhado?

qual é o seu papel nas organizações?

Para responder isso, são necessários novos estudos mais específicos. Quem sabe, estimula alguém a empreender por este caminho, não?

 

Reuniões da Rede

Primeira sexta-feira do mês – 11h – 13:30h

Últimas reuniões:
março: O Conceito de QVT e Diversidade Cultural
abril: Fusões Empresariais e QVT

Agenda do ano com temas. Próximas reuniões:
05 de maio – Inovação
02 de junho – questões jurídicas
04 de agosto – gestão e estrutura organizacional
1º de setembro – educação e pedagogia
06 de outubro – publicações e vídeos em QVT
03 de novembro – sociedade do tempo livre

As reuniões da REG-QVT são um espaço de discussão democrático e pluralista, que tem por objetivo ampliar o debate de temas atuais relacionados à qualidade de vida no trabalho. A presença de profissionais altamente qualificados como consultores, professores universitários, pesquisadores e estudantes, os quais tem em comum a preocupação com as relações interpessoais no ambiente de trabalho e suas conseqüências bio-psico-sociais, é de extrema importância para a pulverização e conscientização da relevância do estudo sobre QVT.

 

13ª Reunião da REG-QVT

Tema: O Conceito de QVT e Diversidade Cultural

GRUPO VISÃO: Como o especialista pode gerenciar programas de Qualidade de Vida relacionados à diversidade cultural? O grupo identificou que um trabalho, embasado numa pesquisa de clima organizacional, no sentido de aplicar um plano de ação em cima das diversidades presentes na organização é a melhor resposta ao gerenciamento da diversidade com qualidade de vida.

GRUPO ATIVOS: Como a diversidade e a Qualidade de Vida atingem as pessoas? A diversidade traz à organização aspectos positivos e negativos; segregação, indiferença, medo do desconhecido são as resultantes negativas da diversidade. A troca de conhecimentos e valores, reflexão, identificação e a intensificação das relações interpessoais na busca de novos valores pessoais são citadas como aspectos positivos. A promoção de confrontos originada pelos choques de diversidade pode ser encarada como um aspecto positivo, amadurecimento das relações de trabalho e o aprendizado na assimilação das diferenças, porém este mesmo confronto gera situações muitas vezes problemáticas e desgastantes no ambiente de trabalho.

GRUPO DESPERTAR: Quais grupos são afetados pela diversidade cultural? A diversidade cultural propicia o enriquecimento do clima organizacional, através da interação e inclusão das pessoas. Essa interação, e a própria diversidade cultural, afetam e refletem aprendizados sociais.  Os grupos mais afetados pelas ações decorrentes da diversidade são: maiores de 40 anos, portadores de deficiência, mulheres, jovens iniciantes, negros, doentes e diferenciações referentes a formação acadêmica, religiosa e orientação sexual.

 

Dicas de Consulta

www.unimedfesp.com.br/qualivida1.htm - Unimed SP. Um site em sintonia com os trabalhos do grupo. Visita recomendável!

www.brsaude.com.br – Br Saúde. Vários enfoques sobre saúde, com links diversos. Visita também obrigatória!

www.uol.com.br/pervler – Programa de Prevenção Nacional às LER/DORT

www.opas.gov.br – Organização Pan-americana de Saúde

www.unitrabalho.org.br/bdunitrab – Cadastro de bibliotecas, núcleos, pesquisadores e obras.

 

Agende-se

Problemas Psicossociais do Trabalho Contemporâneo: diagnóstico e alternativa – 1º/08 – 07/11/2000
Instituto de Psicologia – USP (tel.: 818-4172)

Seminário para lançamento do vídeo das duas primeiras edições do Seminário Internacional Qualidade de Vida no Trabalho: 06/10/2000

2001 – Seminário Internacional: Qualidade de Vida de Frente para o Brasil. 15/16 de outubro de 2001. Prepare-se e participe!

Fale Conosco:

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profª. Dra. Maria Tereza Leme Fleury (coord), prof. Dr. Joel de Souza Dutra, prof. Dr. Lindolfo Galvão de Albuquerque, profª. Dra. Ana Cristina Limongi França, prof. Dr. André Luiz Fischer, prof. Dr. Arnaldo José F. M. Nogueira, profª. Dr.    Marisa Pereira Eboli, profª. Dra. Rosa Maria Fischer

Jornalista responsável - FIA
Fernando Fulanetti – No. Registro: 21186 SP

Tiragem de 500 exemplares