Número 2 - maio a  julho de 1999 - Circulação Trimestral

Por melhores condições de trabalho

Em entrevista ao Jornal do Brasil, Ana Cristina traça um paralelo das condições de trabalho do século XIX e as de hoje. Segundo ela: “na medida em que os chamados profissionais especializados – guardadas  sempre as devidas proporções – também trabalham em condições insalubres sob vários aspectos, extrapolam horários, não tiram férias. No início do século, em plena produção de massa, consequência da Revolução Industrial, o trabalho operacional era fragmentado em tarefas simples, com ênfase na repetição intensa e monótona da mesma ação, sem participação ou acesso a melhorias e modificações no ambiente de trabalho. A grande limitação à qualidade devida era a participação no processo de produção e nos resultados econômicos decorrentes da sua própria força de trabalho, a ausência de comunicação e a ênfase na hierarquia rígida e autoritária, com poder formal absoluto por parte de supervisores e dirigentes. A relação era sempre de subserviência, disciplina e estabilidade no cargo. O trabalho e a vida pessoal totalmente dissociados do ponto de vista organizacional. Eram condições insalubres decorrentes da cisão entre o fazer, o pensar e o sentir, além das limitações do ambiente físico e da ergonomia do maquinário. Hoje, os profissionais especializados vivem sob pressão insalubre da competitividade de mercado, da dedicação complexa do fazer e sugerir novas melhorias continuamente e da instabilidade do ciclo de vida das organizações e produtos que são criados, enquanto outros são extintos. Eu diria que, no início do século, a grande insalubridade era a ausência do pensar e participar dentro de um mercado em plena expansão. Hoje, o grande fator de insalubridade é conciliar demandas profissionais atreladas à contínua especialização e às condições de relacionamento pessoal e organizacional.”

Editorial

Comissão Informativo
profª. Ana Cristina Limongi França, Alessandro Souza Lopes, Cínthia D'auria e Fabiana Gradela Casarini

Jornalista responsável - FIA
Fernando Fulanetti

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PROGEP
profª. Maria Tereza Leme Fleury (coord.), prof. Joel de Souza Dutra, prof. Lindolfo Galvão de Albuquerque, profª. Ana Cristina Limongi França, prof. André Luiz Fischer, prof. Arnaldo José F. M. Nogueira, profª. Marisa Pereira Eboli e profª. Rosa Maria Fischer. apoio - Jack Tsai


Nos bastidores com Mauricio Lambiasi

Maurício Lambiasi, através de uma pesquisa realizada no Banco do Brasil, avaliou a percepção de qualidade de vida entre os funcionários da gerência média na Capital e no Interior de São Paulo. O principal objetivo foi verificar a existência ou não de diferenças nos níveis de satisfação e importância que compõem o conceito de qualidade de vida a partir de uma análise comparativa entre a Capital e o Interior de São Paulo - será que viver na Capital ou no Interior traz melhores benefícios para a qualidade de vida no trabalho?

Tratando desta questão, Maurício analisou fatores que geram qualidade de vida, ou seja, fatores relacionados ao amor, família, convivência social, lazer, auto - realização, comunidade, religião, trabalho, situação econômica - financeira, moradia, saúde, educação, cultura, meio ambiente, infra - estrutura de lazer, transporte, segurança, a cidade onde mora e a qualidade de vida entre Capital e Interior. Vamos conhecer algumas interessantes considerações sobre este estudo:

RGQVT: Por que o objeto de estudo foi a média gerência do Banco do Brasil?

Maurício: A gerência média é, de fato, a força motriz das ações que se desenvolvem nas empresas. De modo que esta classe é o principal foco na busca por resultados e, por outro lado, sente mais intensamente a pressão das exigências da excelência empresarial.

RGQVT: Portanto, a média gerência apresenta maior necessidade de uma consciência a respeito de qualidade de vida. Mas como este nível de percepção está relacionado ao desempenho profissional?

Maurício: Eu definiria qualidade de vida como a possibilidade de acesso a fatores que te propiciam bem - estar. Se você preserva momentos para a sua realização pessoal, fora do ambiente de trabalho, você se torna uma pessoa mais motivada, criativa, disposta e perseverante em seus objetivos, principalmente, os profissionais. Por exemplo, a pesquisa mostrou que a gerência no interior de São Paulo, está mais satisfeita com o seu trabalho do que a gerência da capital. Isto poderia ser explicado por vários fatores, mas vamos considerar somente dois: comunidade e situação econômica - financeira. No interior, entre a gerência do banco, o grau de importância à comunidade é muito maior que na capital. As cidades do interior demonstram um apelo muito maior a comemorações de datas, feriados e festas populares que a capital. Interessante notar o nível de interatividade nas gerências do banco no interior é maior que na capital. E, por outro lado, como na capital o custo de vida é mais elevado que no interior e as ofertas de consumo também, os gerentes do interior demonstram uma satisfação maior com a remuneração. Dessa maneira, a situação econômica - financeira recebe maior importância e grau de insatisfação na capital do que no interior. Estes dois dados contribuem para a constatação final: que os gerentes do interior se consideram com melhores condições de qualidade de vida no trabalho. Daí vem a motivação, criatividade e disposição no ambiente de trabalho.

RGQVT: Qual foi o método de pesquisa que você utilizou para chegar nestas informações?

Maurício: Foram 160 questionários distribuídos a gerentes de expediente do Banco do Brasil, em 23 agências da Capital e 31 do interior. A análise envolveu estudo de freqüência com que foram observados os diversos graus de importância e satisfação dos fatores, que compõem qualidade de vida e a relação ou não entre eles. Depois, houve uma análise comparativa e quantitativa de todos os dados obtidos na pesquisa.


RGQVT: E qual foi a conclusão geral deste trabalho?

Maurício: Podemos concluir que o aspecto satisfação é maior para a gerência que reside no interior, denotando que para este grupo a qualidade de vida é significativamente melhor do que para a gerência que reside na capital de São Paulo.

RGQVT: O que você pessoalmente realiza para melhorar a qualidade de vida de sua gerência, uma vez que você é Gerente Geral de uma agência do Banco do Brasil na capital e autor deste trabalho?

Maurício: Diariamente eu trabalho com discussões em grupo sobre assuntos diversos. Assim, me torno acessível às pessoas com as quais trabalho e elas, por sua vez, sentem-se mais importantes, motivadas e, sobretudo, valorizadas. Em um ambiente onde as pessoas sentem-se motivadas, o clima de trabalho melhora consideravelmente, o sentimento de equipe surge e idéias criativas e novas começam a incrementar resultados. Por exemplo, em uma dessas reuniões informais um funcionário deu a sugestão para uma campanha interna de incentivos de vendas nos moldes “ganho X castigo”. Ou seja, a equipe de vendas que atingisse a meta do mês seria premiada com um dia de folga na semana, mas a equipe perdedora teria que iniciar uma campanha beneficente. Deste modo, todos sentem-se incentivados a ter desempenhos cada vez melhores pois participam da elaboração das ações.

RGQVT: Seu trabalho foi o vencedor do concurso QVT, com direito a bolsa de estudos no Curso Avançado de Gestão Empresarial em Qualidade de Vida, qual a sua opinião sobre o curso?

Maurício: É uma das iniciativas mais maravilhosas que poderia acontecer. Cada dia é um instrutor diferente, que apesar dos anos de experiência e da impressionante competência, nos transmite conhecimento com humildade e simplicidade.

Encontros do Grupo

O encontro de maio teve como tema de discussão: “As dificuldades encontradas em um Programa de Qualidade de Vida nas empresas em geral e naquelas prestadoras de consultoria.”

Para uma interatividade maior das idéias realizou-se uma dinâmica de estudo diferente. Os participantes deste encontro, dentre profissionais e pesquisadores, foram divididos em dois grupos distintos de discussão: um grupo representando uma empresa de médio porte e o outro, uma empresa prestadora de serviços de consultoria. Cada grupo discutiu respectivamente entre os seus membros as vantagens e dificuldades que um programa de qualidade de vida enfrenta ao ser apresentado nos contextos acima.

As principais dificuldades de QVT apresentadas foram:

Situação atual política- econômica brasileira.

Trabalhos de desenvolvimento organizacional incompletos.

Programas de qualidade de vida como “pano de fundo”, visando favorecer a imagem da empresa.

Surgimento das “multiculturas” nas empresas.

Interesses da alta gestão x interesses das chefias intermediárias.

Em contra partida, a vantagens citadas para os programas/ ações de QVT são:

Novo perfil de profissional interessado em sua própria qualidade de vida.

Maior conscientização sobre QVT e sua importância nas organizações.

Agende-se

01/07/99 às 9:00 – Próximo encontro da Rede de Estudos de Gestão de QVT

QVT em ação

Nessa edição, o destaque será dado às ações da fundação CESP, apresentadas aos participantes da rede no mês de maio. O projeto de Qualidade de Vida compreendia, basicamente, duas frentes: os grupos de interesse e saúde preventiva.

Os grupos de interesse surgiram à partir de sugestões dos funcionários, levantadas no final das palestras que foram ministradas pela empresa. Esta, pôr sua vez, verificava a viabilidade de estar efetivando as sugestões, e então, procurava um profissional qualificado para atender determinado grupo de funcionários. Esses programas aconteciam dentro da empresa, na área reservada para o lazer e pôr serem custeados pelos funcionários, eram chamados de programas auto sustentáveis. Desta maneira, foram formadas turmas de dança de salão, tai chi chuan, coral e grupo de pagode. Houve também, um grupo de Vigilantes do Peso organizado para atender os funcionários em seu local de trabalho, que desejavam mudar os hábitos de alimentação. Além disso, um grupo informal se reunia com periodicidade para discutir temas diversos. Essa iniciativa contribuiu para a melhoria do relacionamento entre os funcionários.

Em saúde preventiva, foi adotada a ginástica no escritório, supervisionada pelo médico da empresa, realizada duas vezes por semana, no horário do almoço e final da tarde.

Um diferencial no projeto era, sobretudo, a campanha em prol do humor, a idéia era de “trabalhar menos e brincar mais”, no sentido de melhorar a relação dos funcionários com o trabalho, com os imprevistos e obstáculos do dia a dia.

Jurema Polycarpo foi uma das responsáveis  pelo projeto de Qualidade de Vida da Fundação CESP. Participa da Rede de Estudos de Gestão de QVT na FEA/USP.  

Cotidiano & Trabalho

(fonte: Revista Você SA, ano 1998, ed. Abril)

“Pssssiu! Você já deveria estar de volta ao escritório.
Férias são para preguiçosos!”

“Como você sugeriu, eu organizei uma lista com meus objetivos profissionais:
1- Fazer o Sandoval parar de enfiar o dedo no nariz enquanto estou ao telefone.
2- Convencer a Claudete e a Sônia a usarem menos perfume.
3- Chegar ainda mais rápido ao corredor quando sentir o cheiro de café.”